Uma história

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Charlie Kimball disputa a temporada 2009 da Indy Lights. É décimo colocado no campeonato. Está apresentado aos senhores. Mas não é disso que quero falar.Heptacampeão norte-americano de Kart, Kimball foi com 19 anos para a Inglaterra, terra natal, tentar fazer carreira no automobilismo europeu. Em 2004, correu a F-Ford britânica e venceu duas provas. Foi para a F3 Inglesa no ano seguinte, terminando em segundo a temporada, atrás de Álvaro Parente e à frente de Mike Conway e  Marko Asmer. Em 2006, chegou à F3 Europeia e não foi tão bem, ganhando apenas uma prova, mas entrou para a história como o primeiro estadunidense a vencer na categoria.

2007 foi o ano decisivo em sua carreira. Foi para a emergente World Series by Renault. Lá, não conseguiu mostrar o talento das outras categorias. Sua melhor posição foi um oitavo lugar e Parente foi o campeão. Quando faltavam quatro corridas para o fim do ano, Kimball precisou ser hospitalizado. Diabetes tipo 1. Como não havia histórico da doença na família, o piloto nunca se cuidou. “Meu pai estava na Inglaterra para me assistir correr. Honestamente, eu avaliei a minha vida”, disse, em entrevista. O brasileiro Alberto Valerio o substituiu na equipe.

Parado, foi buscar ajuda médica para saber se poderia correr sem pôr em risco a sua vida e a dos outros pilotos. Recebeu liberação, desde que fizesse uso de suas cinco doses de insulina diárias. Ainda assim, faltavam duas coisas: preparo psicológico e dinheiro. O primeiro Charlie resolveu com terapia. A grana, com um fundo de investimentos, o Charlie’s Racing Career (CRC), para atrair patrocinadores. Eu acharia improvável que desse certo. Mas a atenção da imprensa ajudou, e anunciantes viram na história de Charlie uma forma de aparecer.

Hoje, o principal patrocinador de Kimball é a Novo Nordisk, uma… Empresa farmacêutica de produtos para diabéticos. O piloto da PBIR na Lights corre com um medidor de insulina, por onde monitora seu índice durante as corridas. Se algo acontecer, pode beber uma água com açúcar. Nas horas vagas, se dedica a divulgar os produtos do patrocinador que o ajuda [mesmo] e é um dos embaixadores da entidade Children with Diabetes. É o único piloto com a doença correndo em alto nível.

Torço por esse cara.

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3 Respostas to “Uma história”

  1. Bruno Says:

    Heptacampeão de Kart EUA, bom pilot então. Devia tentar F2 ou GP2 os americanos vão precisar de um piloto da casa para a USF1 e até agora parece que a melhor opção ainda é o Sccot Speed.

    Resposta do Felipe Paranhos

    Acho que ele poderia tentar F2, sim, Bruno. Acho a melhor opção para pilotos como ele. Pode ter certeza que vai sair gente muito boa de lá no ano que vem.

  2. Kleber "ChapZ" Says:

    Não o conhecia. A partir de agora, também torço por ele.

  3. JULIO DIAZ Says:

    legal alguem falar de diabetes, ela não é limitadora de nada, basta coragem e força de vontade, força charlie kimball. mesmo sem midia vc pode ser a inspiração oral para pacientes dos quais eu trato como técnico de enfermagem de um hospita de são paulo. Nós podemos tudo.
    ps: desculpe a empolgação,é que as vitórias da humanidade são icrivéis!!!

    Resposta do Felipe Paranhos

    Obrigado, Julio! 🙂

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